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sábado, 5 de dezembro de 2015

PROJETO MEU BERÇO MEU ORGULHO *MAURICIO DUARTE*



PROJETO MEU BERÇO MEU ORGULHO
Patrono: Paulo Coelho
Acadêmico: Mauricio Duarte
Cadeira: 18

Niterói, minha querida Niterói

Jardim de infância
Antes de meus pais se mudarem para São Gonçalo, morávamos no Fonseca, perto da Alameda. Não me lembro bem dessa época. Eu não tinha nem cinco anos de idade. Mas lembro vividamente sim de um episódio no jardim de infância. Minha mãe me deixou lá para um dos primeiros dias ou o primeiro dia como aluno. Eu dei pernadas no colo da professora e, segundo minha mãe, minhas pernas possantes e grossas com botas ortopédicas nos pés, fizeram um estrago na moça. Quando finalmente minha mãe foi trabalhar e me vi sozinho no jardim de infância, não quis brincar com as outras crianças e me colocaram numa rede. Eu dormi o tempo inteiro, emburrado.

As praias
Pedra de Itapuca, Praia de Icaraí, Recanto de Jurujuba, Itacoatiara. Belezas naturais dessa minha Niterói, cidade sorriso. Na minha infância quando íamos à praia, sempre era Niterói nosso destino. As praias são exuberantes e, dizem, a melhor vista do Rio de Janeiro é de lá, o que comprovei muitas vezes. Piratininga, Camboinhas, Ilha da Boa Viagem, São Francisco, Charitas, Itaipu, também são praias de enorme beleza que me encantavam – e me encantam até hoje – durante minha juventude.

As diversões
“Mas nem só de praia vive o homem”, diria o flanêur da cidade de Araribóia. Também o cinema mais próximo da minha casa era em Niterói quando eu era criança. E íamos, eu, minha mãe e minha irmã – algumas vezes meu pai também – assistir os filmes dos Trapalhões, de ficção científica e aventura de Hollywood na telona.
Além disso, as melhores bancas de jornal estavam... em Niterói, é claro. As únicas que podiam aplacar meu vício de histórias-em-quadrinhos de super-heróis. E eu era do tipo de colecionador que não se satisfazia com pouco. Não me contentava com as revistas do Homem-Aranha ou as revistas do Superman. Eu queria colecionar o universo dos super-heróis. O mais variado espectro possível daquelas aventuras todas.
E eram assim os passeios, recheados de cinema e quadrinhos.

O circo
E o circo? Lembro-me do que minha mãe dissera sobre a tragédia de 1961, com o Gran Circo Norte-Americano, com lona de nylon, o que fazia parte da propaganda do evento. Foi um crime, não foi acidente. Um dos condenados tinha sido demitido e por vingança, cometera o ato sórdido de botar fogo na lona com gasolina. Um incêndio horrível. Mais de 300 mortos, muitos mutilados, muitos feridos. O Profeta Gentileza surgiu por causa desse crime. Seis dias depois do acontecido, o empresário José Datrino ouviu “vozes astrais” que lhe inspiraram a dedicar o resto da vida a Jesus, sendo conhecido como José Agradecido ou Profeta Gentileza. A cidade ficou traumatizada. É só teve outro circo 14 anos depois.
Quando eu era criança, por volta de 1980, num dos poucos circos que tiveram lugar em Niterói, os ecos daquele terrível dia ainda vinham a mim pela boca da minha mãe, mas mesmo assim fomos. Para o bem ou para o mal, acho que foi a primeira e única vez que fui num circo.

O futebol
Eu já estava na faculdade de Desenho Industrial quando surgiu a oportunidade de participar de uma escolinha de futebol pelo Canto do Rio Futebol Clube. Eu e mais dois amigos do 2º. Grau, fomos lá disputar partidas em campos que, se não eram bons nem bem cuidados, pelo menos, tinham mais ou menos o tamanho oficial, com traves e tudo.
Mas foi uma lástima. Os meninos que jogavam conosco, eram dezenas de vezes melhores do que nós. Enfim, pudemos jogar um esporte que tanto nos cativava com bastante similaridade aos jogados oficialmente. Para mim, foi muito bom. Pude vivenciar a emoção que meu pai tivera ao ser campeão de futebol no Exército na Paraíba; guardadas as devidas proporções, é claro.

A paixão
Muitos anos depois eu tinha me tornado anarquista. Participava de coletivos de estudo, núcleos de pesquisa, bibliotecas, editoras e eventos libertários. Minha vida era toda dedicada àquele movimento. Eu vendia livros do pensamento da acracia. No meio do nada, entre o lugar nenhum e o nenhum lugar, num espaço de passagem dos alunos, professores e funcionários da UFF que estava em obras no Gragoatá, eu colocava minha pequena banca. E vendia. Vendia todo dia, por incrível que pareça. Foi uma boa experiência. Tanto que naquela época, eu pensava: “nunca fui tão feliz quanto sou agora.”

Conclusão
Niterói é uma cidade linda e muito sedutora. Quero deixar meu testemunho de que passei muito bons momentos por lá. Mais do que o lugar onde eu nasci, aprendi a gostar e respeitar suas ruas, suas avenidas, suas praças, sua gente. Um lugar para não esquecer, nunca.

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)

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