Homenagens e Cartões

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domingo, 21 de fevereiro de 2016

Homenagem a António Aleixo...Por Paulo Monteiro







António Aleixo: um poeta censurado

Patrono: Mário Quintana
Acadêmico : Paulo Monteiro
Cadeira : 09


António Aleixo: um poeta censurado

Considerado o maior poeta popular de Portugal, António Aleixo, falecido nascido no dia 16 de fevereiro de 1899, e falecido a 16 de novembro de 1949, continua sofrendo censuras.

Boa parte de sua obra somente pode ser publicada em 1978, num volume organizado por Ezequiel Ferreira. Inimigo da ditadura salazarista, defensora da “democracia ocidental” e da “moral católica”, os poemas em que o poeta condenou as injustiças sociais, a hipocrisia social, e questões relativas à sexualidade, sofreram interdito da censura portuguesa.

Joaquim Magalhães, amigo, editor e depositário da obra do poeta, assim abre a edição dos INÈDITOS (p. 11): “dado o condicionamento que forçosamente limitou a publicação integral de todo o material que se ia recolhendo no convício com o poeta, houve que seleccionar na altura das edições dos primeiros livrinhos: e, depois, no seu conjunto, de modo a evitar sempre possíveis prejuízos. Assim se justifica que se tenha conservado inédito um certo número de composições que o talento superior de António Aleixo improvisava, cantava, ditava ou escrevia, nas que as circunstâncias actuais da vida portuguesa já permitem dar a conhecer”.

Com a habilidade vocabular de veterano educador, Joaquim Magalhães deixa claro os “prejuízos” (proibição de obras pelos censores) que certos poemas de Aleixo poderiam sofrer. Somente depois da Revolução dos Cravos (“circunstâncias atuais”) permitiram sair sob letra de forma.

Muitos poemas, mormente os de protesto político, saíram nas publicações em vida do Autor, pois Joaquim Magalhães serviu-se de um expediente, publicou misturados com versos menos condenáveis pelos reacionários de todos os calibres. Já os poemas “eróticos”, em sua maioria ou despareceram ou saíram a lume apenas na edição de 1978. Estes, eram os mais vendidos por esse poeta ambulante, que andava pelas feiras, a exemplo dos nossos poetas de cordel, oferecendo seus poemas. E o sustento de sua numerosa família dependia, em boa parte, da venda de sua produção literária.

Como o reacionarismo é tão antigo quanto a Humanidade, não é à toa que até hoje António Aleixo continue sendo censurado pelos espíritos tacanhos. Censura que se estende às análises integrais de sua obra

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