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segunda-feira, 23 de maio de 2016

APOGEU POÉTICO - MODERNO BY Moisés A. Jalane












Patrono: Charles Baudelaire
Acadêmico: Moisés A. Jalane
Cadeira: 15
APOGEU POÉTICO - MODERNO
Tema : Reflexão

Nada é tudo, tudo é nada

Roupas…
Roupas grudadas em mim,
Quem diria…
– linhas de algodão
concordando com meu corpo,
com o meu corpo? – este objecto animal
orgânico, inteligível porem perecível.
Quem diria que iria eu,
Logo eu! Servir-me de frutos para vestir-me.
É espantoso...
Pois então estou farto delas,
Cansei de cobrir-me,
Colorir-me,
Acobertar-me,
Fugir-me e me esconder nelas.
Vou já exibir-me
Sendo eu, apenas eu
E o meu corpo!
Mas afinal quem sou eu?
(tenho certeza que não sou minhas roupas)
Se calhar basta saber que sou corpo
Ou se calhar saber que sou corpo basta!
Não.
Nada disso satisfaz o meu rótulo
Alias não gosto de rótulos,
Não gosto de ser embalado
Razão pela qual quero me livrar das roupas;
Pretendo me definir pela ausência delas,
Nudez,
Indigência,
Jejum…

Nu…
Estou deserto e estou confuso!
…(aquel)as roupas…
…(aquel)as roupas têm minha forma
Ou eu é que tenho a forma delas?
Não.
Não posso pensar que às pertenço!
Elas não são nada,
São apenas linhas de algodão…
Mesmo se me fossem pensamentos
Não me significariam nada.
Esses pensamentos que me parecem ser tudo
No fundo são nada,
São frutos que me vestem,
São algodão, são roupas…
Posso igualmente despi-los.

Eu…
Eu grudado em sentimentos,
Pobre de mim…(bem o escreveu Vinicius de Moraes)
Amor, paixão e compaixão
Concordando com minha alma,
Com a minha alma? – esta animação racional
Que se acredita ser imortal.
Pobre de mim por possui-la,
Pobre de mim por usufruir dos seus dons.
É lastimoso…
Pois então estou farto de tais sentimentos,
Cansei de sentir,
Fingir,
Mentir
E ferir-me pelos sentidos da alma.
Vou já desferir-me
Deixar de ser sensível, ser desalmado,
Ser um sem alma,
Mas afinal o que é ser?
(não tenho certeza, talvez seja ter sentimentos)
Se calhar saber que tenho alma basta
Ou se calhar basta saber que tenho alma.
Não.
Nada disso satisfaz o meu módulo
Alias não gosto de módulos,
Não gosto de ser coligado
Razão pela qual quero me livrar dos sentimentos;
Pretendo me diluir pela ausência deles,
Opacidade,
Tenebroso,
Fosco…

Opaco…
Sou covarde e sou obtuso!
…aqueles sentimentos…
…eles têm a minha imagem
Ou eu é que tenho a imagem deles?
Não.
Não posso pensar que me pertencem…
Eles não são nada;
São apenas animações da racionalidade,
Mesmo se me fossem acções
Não me significariam nada.
Esses sentimentos que me parecem ser tudo
No fundo são nada,
São animações que me racionalizam,
São ilusões, são sensações…
Posso igualmente destitui-los.

…não estou conformado…
Me parece que
A minha própria nudez me assusta…
É melhor voltar a cobrir-me!
Nem mesmo a opacidade…
Não me sinto confortável com ela..
Quer saber
Nada é tudo, tudo é nada
E quanto ao texto acima
É bom que se inverta tudo.

Moisés Jalane (com a cortesia do Inácio Juma)

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