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terça-feira, 8 de setembro de 2015

Djalma Pinheiro















Projeto : Meu Patrono Visto Por Mim

Patrono: Vinicius de Moraes
Acadêmico: Djalma Pinheiro..
Cadeira : 13...

Meu Patrono visto por mim...

Para mim um humilde escritor que por volta do ano de 1967 ao entrar para a JS, então com 16 anos, escrevendo manifestos e tentando engatinhar no mundo literário o que faço ate hoje, na JS além de termos formação muito ligada a leitura ideológica líamos muitos romances e poemas, de grandes escritores brasileiros e onde não podia faltar em nossos papos após as intermináveis reuniões literalmente clandestinas dissecações com pequenas interpretações dos poemas e os de nosso Poetinha, era muito bom.

Nosso poetinha que nasceu no dia 19/10/1913 em berço nobre, batizado como Marcos Vinicius da Cruz de Mello Moraes, popularmente conhecido como VINICIUS DE MORAES e em nosso meio literário chamado carinhosamente por POETINHA, sempre esteve ligado a literatura, pois durante sua formação acadêmica na Faculdade de Direito do Catete, teve contato direto com a boemia e com os saraus de poesia, tanto o é que ao 16 anos escreveu seu primeiro livro ¨O caminho para a distância” livro com cerca de 40 poemas. Publicado em 1933.

MÍSTICO

Rio de Janeiro , 1933

O ar está cheio de murmúrios misteriosos
E na névoa clara das coisas há um vago sentido de espiritualização... 
Tudo está cheio de ruídos sonolentos
Que vêm do céu, que vêm do chão
E que esmagam o infinito do meu desespero.

Através do tenuíssimo de névoa que o céu cobre 
Eu sinto a luz desesperadamente
Bater no fosco da bruma que a suspende.
As grandes nuvens brancas e paradas —
Suspensas e paradas
Como aves solícitas de luz 
Ritmam interiormente o movimento da luz: 
Dão ao lago do céu
A beleza plácida dos grandes blocos de gelo.

No olhar aberto que eu ponho nas coisas do alto
Há todo um amor à divindade.
No coração aberto que eu tenho para as coisas do alto
Há todo um amor ao mundo.
No espírito que eu tenho embebido das coisas do alto
Há toda uma compreensão.

Almas que povoais o caminho de luz
Que, longas, passeais nas noites lindas
Que andais suspensas a caminhar no sentido da luz 
O que buscais, almas irmãs da minha?
Por que vos arrastais dentro da noite murmurosa 
Com os vossos braços longos em atitude de êxtase?
Vedes alguma coisa
Que esta luz que me ofusca esconde à minha visão? 
Sentis alguma coisa
Que eu não sinta talvez?
Porque as vossas mãos de nuvem e névoa
Se espalmam na suprema adoração?
É o castigo, talvez?

Eu já de há muito tempo vos espio
Na vossa estranha caminhada.
Como quisera estar entre o vosso cortejo
Para viver entre vós a minha vida humana...
Talvez, unido a vós, solto por entre vós
Eu pudesse quebrar os grilhões que vos prendem...

Sou bem melhor que vós, almas acorrentadas
Porque eu também estou acorrentado
E nem vos passa, talvez, a ideia do auxílio.
Eu estou acorrentado à noite murmurosa
E não me libertais...
Sou bem melhor que vós, almas cheias de humildade.
Solta ao mundo, a minha alma jamais irá viver convosco.

Eu sei que ela já tem o seu lugar
Bem junto ao trono da divindade
Para a verdadeira adoração.

Tem o lugar dos escolhidos
Dos que sofreram, dos que viveram e dos que compreenderam.

Vinicius de Moraes

Além deste primeiro livro o Poetinha tem entre suas principais obras:

Forma e exegese (1935) – Ariana, a mulher (1936) – Novos poemas (1938) – Cinco elegias (1943) – Poemas, sonetos e baladas (1946) – Pátria minha (1949) – Livro de sonetos (1957)

Após voltar da Inglaterra onde fora estudar Literatura na Universidade de Oxford e que não se formou por causa do inicio da segunda guerra, foi morar em São Paulo onde conheceu e fez amizades com Mário de Andrade, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade entre outros e casou-se pela primeira vez de uma série de nove casamentos. Mesmo em sua carreira diplomática vivendo em diversos países nunca deixou de ter contato com os amigos literários e da cultura aqui no Brasil.

A MUSICA

É um dos fundadores do movimento revolucionário na música popular brasileira - MPB, chamado de “Bossa Nova”, juntamente com Tom Jobim e João Gilberto. Com essa nova empreitada no mundo da música, Vinicius de Moraes abandonou a diplomacia e se tornou músico, compôs diversas pérolas da MPB, que chamo de POESIAS CANTADAS

A FASE DO AMOR

Nesta fase eu Djalma Pinheiro pessoalmente entendo como uma de minhas frases onde digo que: O ESCRITOR E O POETA NÃO ESCREVEM ELES SIMPLESMENTE PSICOGRAFAM O SEU INTERIOR E O DO ALHEIO.

Dialética

É claro que a vida é boa 
E a alegria, a única indizível emoção 
É claro que te acho linda 
Em ti bendigo o amor das coisas simples 
É claro que te amo 
E tenho tudo para ser feliz

Mas acontece que eu sou triste...

Vinicius de Moraes

O início da obra do Poetinha segue uma aliança com o Neo-Simbolismo, o qual traz uma renovação católica da década de 30, além de uma reformulação do lado espiritual humano. Vários poemas do autor enquadram-se nesta fase de temática bíblica. Porém, com o passar dos anos, as poesias foram focando um erotismo que passava a entrar em contradição com a sua formação religiosa.

Após essa fase de dicotomia entre prazer da carne e princípios cristãos, infelicidade e felicidade, o Poetinha partiu pata uma outra fase poética. A temática social e a visão da bela e gostosa arte de amar, algo que ele sabia tão bem dissecar, haja visto seus nove casamentos.

“Com as lágrimas do tempo e a cal do meu dia eu fiz o cimento da minha poesia.” - Vinicius de Moraes

O verbo no infinito

Vinicius de Moraes

Ser criado, gerar-se, transformar
O amor em carne e a carne em amor; nascer,
Respirar, e chorar, e adormecer
E se nutrir para poder chorar

Para poder nutrir-se; e despertar
Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir
E começar a amar e então sorrir
E então sorrir para poder chorar.

E crescer, e saber, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito

E esquecer tudo ao vir um novo amor
E viver esse amor até morrer
E ir conjugar o verbo no infinito...

“Críticos são sujeitos que têm mau hálito no pensamento.” - Vinicius de Moraes

Vinicius de Moraes foi um poeta que marcou a literatura e a música, e até hoje é relembrado, inclusive em nomes de avenidas, ruas, perfumes e etc...

O que sinto é que infelizmente nossos mandatários da cultura não deem valor a isso, pois nossos escritores e poetas deveriam ser leituras obrigatórias em salas de aula.

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