Homenagens e Cartões

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terça-feira, 8 de setembro de 2015

Helena Fragoso







Sou hoje essa Mulher, que em si contrasta,
As marcas dos açoites de vergasta
Que a vida desenhou na sua fronte;












Meu Patrono Visto por MIm
Patrono : Luiz Vaz de Camões
Acadêmica : Helena Fragoso
Cadeira : 17


ERROS MEUS, MÁ FORTUNA, AMOR ARDENTE...

Erros meus, má Fortuna, Amor ardente.
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a Fortuna sobejaram,
Que para mim bastava Amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa (a) que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.

De amor não vi senão breves enganos.
Oh! Que tanto pudesse que fartasse
Este meu duro Gênio de vinganças!

Luiz Vaz de Camões in Sonetos

Glosa ao Soneto de Luiz Vaz de Camões

Erros meus, má Fortuna, Amor ardente.
Fizeram de mim tudo o que hoje sou
Os erros que a minh’alma acreditou
Poderem ser lição que a gente sente.

Tudo passei; mas tenho tão presente,
Momentos desse tempo que findou
Em que a boa fortuna me olvidou
E que inda hoje sinto descontente..

Errei todo o discurso dos meus anos
Pensando que o amor por si bastasse
Para que renovasse as esperanças.

De amor, não vi senão breves enganos,
Oh se a minha’alma a si se perdoasse
Teria alguns instantes de bonanças...

Helena Fragoso

Resposta a Luiz Vaz de Camões

Crescimento…

Fiz parte dos inertes, pedra gasta…
Depois fui flor ou urze em qualquer monte,
Fui vaga rebentando ali defronte
Da íngreme enseada, rude e vasta…

Nascida no caminho em qualquer fonte...
Talvez um fio de água que se arrasta,
Ou mesmo um animal… vida madrasta…
Sem ter alguém que o cuide ou o afronte…

Sou hoje essa Mulher, que em si contrasta,
As marcas dos açoites de vergasta
Que a vida desenhou na sua fronte;

Com o saber e calma que lhe basta
Lutando em liberdade, de alma casta…
Sem recear o mal que se lhe apronte.


Helena Fragoso





















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