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terça-feira, 8 de setembro de 2015

Paulo Monteiro



















Projeto: Meu Patrono Visto Por Mim

Patrono: Mário Quintana
Membro Titular: Paulo Monteiro
cadeira : 09


MÁRIO QUINTANA, O EU, O ELES E O NÓS

Reza uma lenda de que Mário teria dito que "Poeta que precisa explicar sua poesia não é poeta". Acredito que seja uma lenda.Mas é possível que seja verdade. Afinal, era um grande frasista.

Na realidade, o poeta de Alegrete legou-nos inúmeros poemas e textos em prosa sobre a Arte Poética.

"CADERNO H", de 1973, é uma coletânea de pequenos poemas e textos escritos para jornal, onde estão reunidas várias reflexões sobre o fazer poético.

Mário Quintana usa a impessoalidade para expressar-se. Raramente emprega a primeira pessoa do singular. "Eu" e seus derivados praticamente inexiste ao longo do livro. "Ele", o Autor, se dilui no meio dos outros "eles". Mário Quintana é apenas mais um "eu", que se somando a outros "eus".

Cato um exemplo ao acaso. À página 58, da segunda edição (Porto Alegre: Editora Globo, 1977):

A PESCA MARAVILHOSA

Uma associação de rimas é tão legítima como uma associação de ideias. E mais imprevista, sim.Nem me venham com essa de que nãohá nada mais previsível do que uma rima. Dêem-se as mesmas rimas a diferentes poetas e de cada poeta brotará um poema diferente. Agora, se o rio do poeta não for lá muito piscoso, - que culpa tem o anzol?

Até parece que escolhi a passagem a propósito. Não o foi, mas veio a calhar. O Poeta aparece no meio da croniqueta. "Nem me venham com essa de que não há nada mais previsível do que uma rima", ele o diz com todas as letras da primeira pessoa do singular. Aqui ele aparece nas "linhas", via de regra, está nas "entrelinhas".

Mário Quintana, exímio poeta, tanto em versos rigorosamente metrificados quanto em poemas desbragadamente livres, foi um grande "fingidor", para usar a expressão conhecida de Fernando Pessoa.

É assim que vejo meu Patrono, o patrono da Cadeira 9, da Academia Virtual de Letras.

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