Total de visualizações de página

domingo, 18 de outubro de 2015






Patrono : Mario Quintana.
Acadêmico : Paulo Monteiro.
Cadeira : 09
15 de Outubro , dia do Professor !
O mundo fervia naquele ao de 1968. A fervura era tanta que não consegui me inscrever para fazer o Exame de Admissão ao Ginásio. Restou a alternativa de cursar a 6ª Série no Colégio Joaquim Fagundes dos Reis e, no ano seguinte, continuar o Curso Ginasial no Colégio Estadual Nicolau de Araújo Vergueiro. Era Deus escrevendo por linhas tortas. Ali, uma professora de Português publicava um jornalzinho composto em mimeógrafo a tinta, reunindo trabalhos de alunos, professores e de outras pessoas da comunidade. Seu nome: Zilka Neff Rosa.
Certo dia passou na sala de aula solicitando colaboração dos alunos. Eu, que vivia imitando canções ouvidas no rádio, resolvi escrever um poema, como contribuição para o "Fagundes em Foco". Modéstia à parte, ao sair o jornal, um halo de fama começou a se formar ao meu redor.
Vieram outros poemas. E, no mês de agosto, ao escrever um poema sobre Passo Fundo, uma surpresa, Dona Zilka (era assim que a chamávamos) deu-me uma série de explicações sobre a história de Passo Fundo. E orientou-me a alterar a primeira quadra, que era a seguinte: Passo Fundo, foste matas e onde estão as tuas ruas, nos tempos de antigamente, cruzavam índios Charruas. Falou-me sobre licença poética e ensinou-me que os charruas não viviam em Passo Fundo. Disse-me que aqui era território de Guaranis e Tapes. Mudei a estrofe para: Passo Fundo, foste matas onde viviam leões e onde dominavam os Tapes, senhores destes sertões. Perguntei-lhe onde aprenderia sobre licença poética e história de Passo Fundo. Recomendou-me a leitura de dois livros existentes na biblioteca da escola: O Tratado de Versificação, de Olavo Bilac e Guimarães Passos, e Passo Fundo das Missões, de Jorge Cafruni. Li os dois e aqui estou, quase meio século depois, escrevendo estas linhas e apaixonado pela Poesia e a História, continuando aquela aula particular que recebi de Dona Zilka. E em sua pessoa homenageio todos os meus demais mestres. Alguns deles, como o meu Confrade Daniel Viuninski e Merluza Verardi, continuam ao meu lado.
Que esta homenagem seja estendida ao todos os professores, muitos deles meu companheiros de greves, caminhadas e acampamentos na Praça da Matriz, em Porto Alegre. Foto: Quando Patrono da Feira do Livro de Passo Fundo, ao lado de Dona Zilka, de cabelos brancos, e das acadêmicas Santina Rodrigues Dal Paz e Sueli Gehlen Frosi.

Nenhum comentário:

Postar um comentário