Homenagens e Cartões

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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Meu Patrono Visto Por Mim "Maria Ivoneide"



Projeto : Meu Patrono Visto Por Mim
Patrono : Ferreira Gullar.
Acadêmica : Mª Ivoneide J de Melo

A poesia persegue Ferreira Gullar e não ao contrário "Posso passar anos sem criar um verso , pois necessito do espanto que ela me provoca para então escrever " , conta o poeta que completou 85 anos no dia 25 de setembro , além de ensaísta e crítico literário descobre-se na última criação literária A autobiografia Poética e Outros Ensaios, Ferreira Gullar cronista e pintor , mas são meros ofício para garantir a sobrevivência - é na criação de poemas que Gullar se sente realmente um homem livre.
Basta observar sua obra mais conhecida e divulgada, Poema Sujo. Considerada por muitos como uma das principais realizações poéticas do século passado, foi escrita em 1975, quando o poeta ainda vivia forçosamente exilado em Buenos Aires. Uma rápida leitura e a constatação de que o poema é um doloroso canto em favor da liberdade. 
Um dos mais importantes poetas da literatura brasileira, Gullar ganhará ainda uma nova edição de O Formigueiro, obra de 1955, e, no próximo ano, uma coletânea de textos sobre artes plásticas. Eis uma breve entrevista que ele deu ao Estadão.
Como foi refletir sobre a sua história de poeta?


*Jamais imaginei que me tornaria um poeta. Eu era um moleque de rua. Vivia jogando pelada, em São Luís, na rua. Jamais pensei porque na minha casa ninguém era poeta nem tinha livro de poesia. Acredito que as pessoas nascem com determinadas qualidades. O cara nasce com a tendência de ser um bom administrador. Assim como outro nasce jogador de futebol, pois traz internamente algumas qualidades que o tornam isso. Há também quem tenha tendência para ser ladrão, independentemente de ser rico ou pobre – a Operação Lava Jato não me deixa mentir.
Esse DNA parece estar mais presente em você. Se pudesse viver só de poesia, faria isso?

*Não. A poesia é algo incontrolável. Se alguém vive de poesia, ou morre de fome ou começa a escrever bobagens porque não é fácil assim. A poesia, como vejo, nasce do espanto, de alguma coisa que surpreende e que você tem necessidade de comunicar aos outros. É uma experiência de vida especial, não acontece todo dia. Isso é o que move o poeta a escrever. Sem isso, é possível até manusear bem as palavras, mas o poema fica vazio. É meu caso. Outro dia, disseram que eu garanti que não mais escreveria poesia. Nunca fiz isso. Algumas vezes, a poesia se arrancou, se negou a comparecer e fiquei perplexo, mas reconheci que parecia que não mais escreveria. Publiquei meu último livro há vários anos (Em Alguma Parte Alguma, de 2010), o que me deu a impressão de que não vou escrever mais. Claro que não é bom. Não é escolha minha. Mas as coisas não são eternas e, como isso não se controla, não digo que farei de qualquer jeito, ou que não vou fazer. Só constato que faz tempo que não faço.
Ferreira Gullar.

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