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quarta-feira, 6 de julho de 2016

DIA DOS NAMORADOS - RITUAL DO NAMORO

Patrono : Manoel de Barros.
Acadêmico : José Leite Guerra.
Cadeira : 05
12 DE JUNHO DIA DOS NAMORADOS!
RITUAL DO NAMORO
José Leite Guerra
O início do namoro, um ritual. A aproximação vinha tímida, corada, noites acordadas, vislumbres de uma anunciação estelar, planos antecipados, meiguice cochichando nos pensamentos dos enamorados. Eles se deparavam numa festa, numa praça, num festejo junino. O acaso predominava e se encarregava em levá-los, sutilmente, à aproximação. Bilhetes, cartas, recados, tanto ele quanto ela envoltos pela mesma cortina invisível. Um tempo de magia. O despertar de atrações intraduzíveis, o piscar de olhos, os rápidos toques. Os namoros de antes não padeciam de fugacidade. Pareciam para sempre, mesmo que não durassem tanto. Inexistia o alvoroço do ficar, do beijo alternativo, da pressa carnavalesca, do estresse da cama, da sobremesa antes do almoço.
Pode ser considerado desconexo com a época atual de valores desmontados o jeito de namorar pausadamente, ao ritmo de valsa ou de jazz. Mas fui habitante da época do namoro romântico. Coisa de maduro, a fazer o panegírico ou elogio de coisas passadas, diriam alguns. Mas o galanteio florido de mistério marcava os envolvidos pelo amor que detonaria, nas confidências em horizontes suspensos, de planos e tours que guardados na sutileza das atrações surgidas, viagens em conversas, quase sempre superficiais, ingênuas, carícias compactadas e retidas em limites traçados pelo costume de então.
Se no atual as regras são liberais, no pretérito o comportamento dos enamorados, geralmente, fluía numa temperatura amena, sem perigo de um tsunami arrastar tudo para o trivial, o descartável, em desmemoria. O namoro era marcante. Fase de iniciação, uns durando mais, outros menos, porém bem mais concretos, sem desmanchar-se no ar.
E ficavam os lugares, onde se davam os encontros, cenários quase nunca esquecidos. Alguém poderia criticar os namoros de antes com o título pejorativo de “namoros de sala”. Nem sempre. Os pares saíam, iam se construindo, se conhecendo, se confirmando. A aliança poderia caber ou não, conforme ocorresse. O namoro ficava alongado nos corações.


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