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segunda-feira, 25 de julho de 2016

"Meu Patrono Visto Por Mim" Patrono: Vinicius de Moraes Acadêmico: Djalma Pinheiro. Cadeira: 13


Nossa falar de meu patrono quem eu sempre chamei carinhosamente de meu mestre é algo prazeroso, pois nosso poetinha eu posso dizer que o sigo desde adolescência, quando escrevia manifestos contra a ditadura e rabiscava alguns escritos. Nós nos policiávamos muito quanto a cultura, na época a juventude era literalmente separada por tribos, tinha o roqueiro que idolatrava os Beatles e se mesclava com o movimento hippie, numa de paz e amor outros americanos e ingleses, tinha pessoal da jovem guarda que ia para as portas das rádios e TV’s gritar os nomes de seus ídolos e a gente éramos totalmente focados pela luta libertaria.

Isso de certa forma nos levava a ficar mais ligados a MPB, por lermos muito ate para passar o tempo literalmente escondidos e erradamente só pensavam que líamos só os clássicos socialistas, pura balela líamos muito autores brasileiros principalmente os que gostavam como eu de poemas, contos poesias e afins.

Ficava fascinado com a desenvoltura com que aquele homem falava e escrevia sobre o amor e as narrativas de como se cortejar e tratar uma mulher, confesso que de certa forma fiquei ate um pouco alienado em ler tudo de meu mestre sem falar que era vidrado em seu comportamento em todos os sentidos da vida.

É isto eu tento de alguma forma ate hoje seguir seus passos muito embora sei que por mais que tente nunca serei cem por cento igual a ele, mas tento viu, em todos os sentidos nas escritas e em como olhar este ser lindo que é a mulher.

Sua abença ai no andar de cima meu mestre e peço licença para postar aqui três de seus escritos e a frase que acho e tenho como sentido de vida.

Ah, meu ver a melhor frase, onde fiquei viciado em fazer frases que acompanham meus escritos.

“Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja eterno enquanto dure”

A parte que me leva aos tempos que militava conta a ditadura.

Pátria Minha

A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.
Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.
Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos…
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!
Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação e o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!
Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.
Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu…
Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda…
Não tardo!
Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.
Pátria minha… A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.
Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamem
Que um dia traduzi num exame escrito:
“Liberta que serás também”
E repito!
Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão…
Que vontade de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.
Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.
Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
“Pátria minha, saudades de quem te ama…

Vinicius de Moraes.”

Com ele aprendi a escrever todos os natais onde sempre lanço um conto.

Poema de Natal
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
Vinicius de Moraes.”

E por fim tentando segui seu passos a amar uma mulher.

Soneto do Amor Total



Amo-te tanto, meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Vinicius de Moraes.”

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