Homenagens e Cartões

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quarta-feira, 27 de julho de 2016

Patrono : Ferreira Gullar. Acadêmica : Maria Ivoneide Juvino de Melo EVENTO : MEU PATRONO VISTO POR MIM



Numa fascinante missão de discorrer sobre meu patrono Ferreira Gullar o qual sob meu ponto de vista é um dos literatos brasileiro vivo que nos proporcionam grandes obras literárias, nasceu José Ribamar Ferreira, adotou pseudônimo FERREIRA GULLAR, mesclou "Gullar" do sobrenome da mãe e "Ferreira" , sobrenome da família.
Além de ser um eminente Poeta , sempre teve convicção política como militante do Partido Comunista Brasileiro , o que lhe custou um exílio durante a ditadura militar , e é ocupante , com enorme merecimento , da cadeira 37 da ABL , Academia Brasileira de Letras . Ferreira Gullar centraliza as temáticas de suas poesias na questão social , denunciando os problemas relacionados aos fatos da sociedade como um todo , dentre eles a desigualdade existente . Testemunha de uma realidade contraditória e injusta , Gullar recriou em seus versos a lucidez e a revolta frente a um tempo vazio de sentido . A diversificada produção do Poeta origina-se de um múltiplo escritor que tem sua ótica poética aguçada no descompasso social diante da transparência do mundo .
Convido os caros leitores apreciadores da Academia Virtual de Letras a mergulhar comigo nalguns textos poéticos os quais perfila o Ser Humano, poeta que fala o que a gente sente de uma maneira simples que faz a gente sentir o que ele sente maravilhosamente.
No meta poema abaixo , Gullar expressa , em seu discurso poético , uma forma de protesto contra a desumanização e a sub vida brasileira em uma realidade sofrida do cotidiano e nas desgraças de nosso tempo . As descrições dos problemas sociais negadas em cada estrofe da poesia afastam-no de qualquer estímulo para se compor uma criação poética.
Não há vagas

O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão.

O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerilha seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras

– porque o poema, senhores,
está fechado: “não há vagas”
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço

O poema, senhores,
não fede
nem cheira.
Neste poema abaixo a expressão “ cantiga “ remete-nos a um sentimento lírico amoroso onde o tema “ amor “ é cantado de uma forma sublime . É o canto da paixão em que o amado usa de uma vassalagem amorosa para que , mesmo diante da morte , sua amada perpetue-o em um espaço junto a ela para embarcar seus sentimentos .
Cantiga para não morrer

Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.

Em uma visão aguçadamente política , Gullar evoca , em sua poesia, uma denúncia sobre a realidade do Nordeste Brasileiro com o poder dos coronéis que mandam e desmandam no povo subordinado a eles , tratando a todos com muita desumanidade , demonstrando , assim , seu poder e sua força , e o Poeta denuncia no poema a realidade dos fatos .
João Boa Morte - Cabra Marcado para Morrer

Essa guerra do Nordeste
não mata quem é doutor.
Não mata dono de engenho,
só mata cabra da peste,
só mata o trabalhador.
O dono de engenho engorda,
vira logo senador.

Não faz um ano que os homens
que trabalham na fazenda
do Coronel Benedito
tiveram com ele atrito
devido ao preço da venda.
O preço do ano passado
já era baixo e no entanto
o coronel não quis dar
o novo preço ajustado.

João e seus companheiros
não gostaram da proeza:
se o novo preço não dava
para garantir a mesa,
aceitar preço mais baixo
já era muita fraqueza.
Não vamos voltar atrás.
Precisamos de dinheiro.
Se o coronel não quer dar mais,
vendemos nosso produto
para outro fazendeiro.

Com o coronel foram ter.
Mas quando comunicaram
que a outro iam vender
o cereal que plantaram,
o coronel respondeu:
Ainda está pra nascer
um cabra pra fazer isso.
Aquele que se atrever
pode rezar, vai morrer,
vai tomar chá de sumiço.
Três textos luminosos que nos confrontam com o que de melhor o poeta pode nos proporcionar, três visões diferentes, mas que se acoplam num mesmo sentir !



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