Homenagens e Cartões

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segunda-feira, 7 de setembro de 2015

José Leite Guerra























MEU PATRONO VISTO POR MIM

Patrono: Manoel de Barros
Acadêmico: José Leite Guerra
Cadeira: 05


Se Manoel de Barros estivesse vivo, no próximo ano (2016) estaria completando seu centenário de nascimento. Nasceu em Cuiabá (MT), depois se transferiu para Corumbá e, afinal, para o Rio de Janeiro. Formado em Direito. Observador e com forte tendência para cantar a natureza e o humano. Estreou na Literatura em 1937 com o livro "Poemas concebidos sem Pecado".
O ano de 1960 marcou sua mudança, em definitivo, para a cidade de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, onde comprou uma fazenda. Criador de gado, poeta, passa a se inspirar na riqueza natural do Pantanal Matogrossense. Fauna e Flora abundantes.
Não se abstraiu do que lhe oferecia matéria-prima para a confecção de seus poemas. Integrou-se à vida rural, numa convivência extrapoladora, transcendental. Buscou na essência dos bichos e das árvores uma comunhão de ideias para compor sua inusitada obra. Aparou a seiva da natureza circundante e, através de seu tato de aguda sensibilidade lírica, nutriu o seu versejar inovador, arejado, livre. Coisas falantes e dotadas de um brilho poético faiscante e até intrigante para muitos críticos ou bem comportados literatos quase sempre de tocaia para atingir a forma de Manoel de Barros impressa do fazer poético, numa condição em que nada seria impossível à criação literária, inclusive transigir o já concebido "sem pecado original". Ele, poeta originalíssimo, purificado em seu universo translúcido, a instigar e intrigar os mais conservadores.
Arrebatou o "Prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal" e o "Prêmio Cecília Meireles", além de outros. Sua obra foi compendiada pela Ed. Leya, "Poesia Completa", publicada em 2010.
Faleceu em 13 de novembro de 2014, em avançada idade.

Segue uma homenagem que lhe prestei, através de poema de minha autoria:

ALQUIMIA POÉTICA
(Para o poeta Manoel de Barros)
(José Leite Guerra)

Manoel
é passarinho
não joão de barro
mané de barros
tece com talos
de versos raros
o ninho espera
lagartixa
encantada
virar rainha
ou flor de espinho
pinha pia arara
mexe nas coisas
com a intimidade
de quem descobre
mina de cobre
rolo de cobra
em sua vasta
vista veia
de poeta cheia
daquela dobra
de encantamento
mané de barros
constrói do nada
casa barrenta
onde se afaga
bendita lua
surpreendente
onde adormece
onde se sente
em vida plena
poeta-pena
intimamente
estranhas cenas
multiformas
ex-crescentes
de nasceres
de poente.

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