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quarta-feira, 27 de julho de 2016

Patrono : Antero de Quental Académico :José Manuel Cabrita Neves Cadeira :07 MEU PATRONO VISTO POR MIM




RETRATO POÉTICO DE ANTERO DE QUENTAL

Filósofo controverso,
Como fragmento isolado,
No mundo vil, alienado.
Trouxe a revolta do berço,
Pra mudar o Universo,
Impondo novas ideias,
Mais humanas, menos feias,
Mais justas, mais solidárias,
Ao patronato contrárias
E contra amarras e peias…

Foi também na poesia,
Poeta dos mais completos!
Talhou com arte sonetos,
Que da alma transcrevia,
Como a vida lhe doía,
Buscando com insistência
Respostas prá existência,
Questionando nos poemas
Os porquês dos seus dilemas,
Entre dogmas e consciência…

Na poesia militava
A voz da revolução,
Em frases do coração,
Que em poemas transformava
E nas palestras que dava,
Vindas dum puro idealismo,
Falava do socialismo,
Com ênfase e entusiasmo,
Para pôr fim ao marasmo
De um latente comodismo…

Mas foi na filosofia,
Que se empenhou mais a fundo,
Procurando ver o mundo,
Como só ele entendia,
Com outra sabedoria,
Numa visão transcendente;
E fê-lo tão fielmente,
Com tanto empenho e amor,
Em que o excesso de rigor,
O deixou frágil e doente!

Os desenlaces vividos,
Bruscos, de pai e de mãe,
Foram as causas também
Dos vários traumas sofridos,
Nos seus já débeis sentidos.
A vida já não lhe interessa,
Foi-lhe madrasta e travessa
E num banco de jardim,
Uma tarde pôs-lhe fim,
Dando dois tiros na cabeça!

José Manuel Cabrita Neves
Carnaxide, 02-07-2016



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