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domingo, 16 de outubro de 2016

MEU PATRONO VISTO POR MIM – ANTONIO CARLOS ALMEIDA

Patrono: Cora Coralina
Acadêmico: Antônio C Almeida
Cadeira: 21
Evento - Meu Patrono Visto Por Mim

“Toda Mulher leva um sorriso no rosto e mil
segredos no coração
Clarice Lispector”

UMA MULHER CHAMADA CORA

Para a mulher os caminhos até o equilíbrio dentro da sociedade foi cercado de eventos de coragem e sacrifício. As mulheres que passaram por uma das datas significativas do direito da mulher viveram um marco histórico social.
O primeiro Dia Internacional da Mulher foi celebrado em 28 de fevereiro de 1909 nos Estados Unidos por iniciativa do Partido Socialista da América, em memória do protesto contra as más condições de trabalho das operárias da indústria do vestuário de Nova York. Nesta mesma época Cora Coralina contava com 20 anos e tinha escrito os seus primeiros textos aos 14 anos, publicando-os posteriormente nos jornais da cidade de Goiânia, e nos jornais de outras cidades, como constitui exemplo o semanário "Folha do Sul" da cidade goiana de Bela Vista e nos periódicos de outros rincões, assim como a revista A Informação Goiana do Rio de Janeiro, uma afronta para o que seguia nos conceitos de valores da época.
A 1ª mulher brasileira a tirar um título de eleitor, foi a potyguara Celina Guimarães em 1927 no Rio grande do Norte, onde nasceu o primeiro voto da mulher. No período que se segue desde o Dia Internacional da Mulher até o primeiro voto Cora tinha em 1911 partido para o estado de São Paulo com o advogado Cantídio Tolentino de Figueiredo Bretas. Viajara com um homem casado, grávida de seu primeiro filho, marcando a época com o confronto com a igreja e sua própria Cidade.
Na década de 60 o movimento feminista invadiu a Europa e os Estados Unidos buscando novos horizontes, queimando sutiãs em praça pública em protesto a antigos padrões sociais, e desde então o universo masculino nunca mais foi o mesmo. No Brasil, a revolução só tomou fôlego de fato na década seguinte. Com a popularização da pílula, a mulher viu-se livre de uma gravidez indesejada.
Em 1956 Cora Coralina retorna a Goiás, mudou-se para Penápolis, no interior do estado, onde passou a produzir e vender linguiça caseira e banha de porco. Mudou-se em seguida para Andradina, cidade que atualmente, mantém uma casa da cultura com seu nome em homenagem. Em 1965 em pleno movimento feminista lançou o seu primeiro livro aos 76 anos de idade e despontou na literatura brasileira como uma de suas maiores expressões na poesia moderna. Em 1982 – mesmo tendo estudado somente até o equivalente ao 2º ano do Ensino Fundamental – recebeu o título de doutora Honoris Causa pela Universidade Federal de Goiás e o Prêmio Intelectual do Ano, sendo, então, a primeira mulher a receber o troféu Juca Pato.
No Ano de 1984 o Congresso Nacional ratificou a Convenção para eliminar todas as formas de discriminação contra as mulheres, com algumas reservas. No ano seguinte Cora Coralina foi reconhecida como Símbolo Brasileiro do Ano Internacional da Mulher Trabalhadora pela FAO. Morreu em Goiânia, aos 95 anos, em 1985.
Os fatos que cercam o poeta e a sua percepção da realidade o torna a pessoa que transparece em seus poemas. Vivendo as realizações e os sofrimentos de uma luta por igualdade desenhou os seus textos sem revolta, com muita humildade e conquistando tantos corações aflitos. Marcando um século, assegurando sua história como marco na formação de uma nova sociedade. São nas atitudes e realizações que membros da sociedade exigem seus direitos a partir de seus exemplos.
Por: Antonio C Almeida
Referências bibliográficas:
CORA CORALINA - CORAÇÃO VERMELHO
“Saber Viver" - Cora Coralina (Juca de Oliveira) & "Samba da Bênção" - Vinicius de Moraes
Cora Coralina (1/2) - De Lá Pra Cá - 21/09/2009 – TV Brasil
Enciclopédia Itaú Cultural (s/d). Verbete "Cora Coralina" Itaú Cultural.
NUNES, César Aparecido. Desvendando a sexualidade. São Paulo: Papirus. 1999.

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